sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Estou sem sono e sem palavras



Antes eu sonhava, agora já não durmo

Quando foi que competimos pela primeira vez?

O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe

Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.


Não estou mais interessado no que sinto

Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas

Não vou brigar por causa disso

Até penso duas vezes se você quiser ficar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Espelho



Há um vazio pulsando no meu peito
Há um buraco negro saindo pela minha boca
Por estes lábios já passaste - perdeu-te
Nesta casa já entraste - perdeu-te

Entre mim e ti, este abismo
O eu que me foi bate à porta e me reconhece
Não posso escolher se comigo ou conosco fico
Pois os eus que me apresento e os eus que me foram
Não permitem

Muito prazer, eu sou teu passado
Tua sombra, tua angústia
O cordão que nos liga te leva a crer
Que o teu filho de mim depende
E tua felicidade também

Te revela a ti mesmo
Cai no abismo para então te remontar
Que o presente a ti pertence
Não me culpes pelo teu medo de amar
A sorte já foi lançada
Cabe a ti saber jogar

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dia qualquer


Eu queria escrever uns versinhos
Que me ajudassem a descobrir
Sentir assim afinal não é legal.
Assobio à janela à procura de inspiração
O pássaro a pedra a negra o cachorro
Doce solidão.

Passou o rapaz, aquele de corpo esguio
Queria cantar, vem aqui na janela?
Meu coração em chamas - os lábios frios.
Passou. Eu só queria uma motivação...

Passou a velha. Me oferece uma maçã?
Ela arrasta a vida amarrada aos pés.
Por um instante eu quis ser a velha
A caminhar, nem aí pra vida se acabando no chão.

Passou o leiteiro e o cavalo, devagar...
"Eta vida sem graça".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Estático



Meu coração é como a velha estante do quarto
De ferro, já desgastada pela ferrugem,
Simples, reta, de linhas secas e bem espaçadas.

Meu coração é como a estante do quarto
Que guarda lembranças como livros velhos empilhados
Que fica parado
Que só guarda e para.

Meu coração é quadrado como a estante bege do quarto
(bege com pontinhos pretos...)
Cada espaço preenchido por variedades, entretido por banalidades.

Meu coração está cheio e pesado como a estante
Está isolado no centro na parede branca
E está perdendo a cor.

sábado, 4 de setembro de 2010

E o que mais?


E não sabemos mais o que fazer, aonde ir,
Não sabemos nem o que sentir.
Não sabemos se seguimos, se paramos.
Pena que não dá pra voltar...
O tempo não pára, não volta, não pára...
O tempo dá voltas
Dá voltas e me espreme contra o futuro.

Onde estarei?
Onde estou?
O que é isso? Aquilo? Isto?
E agora, José?
A poesia acabou...

domingo, 29 de agosto de 2010

Domingo



E hoje bateu uma moleza no corpo, daquelas que a alma só quer deitar, só quer aconchego, calor nos pés.

Bateu também um vento frio, daqueles que cantam na janela semi-aberta e esvoaçam as cortinas finas. O vento esfriou o corpo todo e a primeira medida foi buscar aquecimento - e não fechar a janela.

Às vezes parece que a gente quer mesmo é sentir aquilo na pele e da maneira mais displicente possível.

Bateu uma tontura daquelas que a cabeça apronta só pra não pensar em nada, pra se livrar do que é pesado.

Na efemeridade da manhã, o rádio ao fundo dá a trilha sonora do frio... A música lhe escolhe e define - e não o contrário.


Não me deixe só, que eu tenho medo do escuro, tenho medo do inseguro, dos fantasmas da minha voz... ah ah ah


Hoje bateu forte a vontade de só ficar... em silêncio e bem aquecida, só ficar.

E que os pensamentos tomem livres seus rumos, que hoje apenas existo - corredor mal iluminado de uma casa ampla, sem viventes...


Só vou te contar um segredo: não, nada de mais nos alcaçaaa... Então venha me dizer o que será da minha vida sem você...


E depois, como será? Antes, o que foi?


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A vida I


E quem diria que eu te veria crescer! Crescer e acabar desse jeito, desgastada pelas próprias lágrimas, vítima do próprio castigo, do próprio engano.

Quem diria que aquela garotinha gorducha e sapeca, tentando se equilibrar nos pezinhos, de olhos mais singelos que o próprio amanhecer e sem malícia, sem mágoas... Aquela menina que um dia quis voar da janela e seguir uma borboleta iria acabar assim.

A garotinha que foi se tornando uma mocinha, de cachos loiros e pele alva, com os mesmos olhos inatingíveis pela sujeira que todos adquiriam perto dela! Aquela que preferia brincar de casinha sozinha porque somente ela entendia seu mundo e estava muito bem assim. Aquela que quis dar leite ao gato da rua...

Quem diria! Se desmoronássemos perante tudo de errado que acontece, a humanidade não teria chegada a um terço do que é.



É preciso força pra seguir.