quarta-feira, 27 de julho de 2011

SEXO VERBAL NÃO FAZ MEU ESTILO

MEU ERRO

MEU ERRO VOCÊ

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Arrastando para si

Não quero luxo nem lixo
Meu sonho é ser imortal.

Não quero luxo, não quero lixo
Quero gozar no final.

Luxo
Lixo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Olhar a renda do avesso

A vida é extensa renda de zil fios
O tempo encarrega-se de desgastá-la
(A gente nem percebe que perdeu uma parte da saia...)

Compreender a arquitetura da obra -
Busca daqueles inquietos insatisfeitos -
É tarefa árdua e sofrida.

Quisera eu encontrar a rendeira cujo entrelaçado de fios me atormenta...
Contar-me-ia ela seu segredo?!

domingo, 29 de maio de 2011

domingo

Tudo que eu posso te dar é solidão com vista pro mar

sexta-feira, 6 de maio de 2011

espinho

a falta é bicho espinhento que confunde os corações.
ora afasta, ora engole a saudade que no peito mora.
sobrepõe-se à fala e espalha na pele os sentidos
a fim de buscar a resposta.

domingo, 3 de abril de 2011

às vezes, para nascer, a gente tem que morrer

Sente-se no ar prenúncios do abandono.
Enquanto isso, aplica-se doses homeopáticas de desprezo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Bouguereau - detalhe e perfeição

"The youth of Bacchus"

"Maternal Admiration"

"Young girl defending herself against Eros"

"Les Noisettes"

terça-feira, 8 de março de 2011

Quando não se tem o que fazer (mas algo a dizer)...

Não posso dar vazão
Ao que tem soterrado
No escuro de mim.

É que o coração
Está habituado
A tentar fugir.

Se eu me trancasse,
Sozinha ficasse e sem medo
Gritasse,
Será que o embaço,
O chorume do negligenciado,
Sairiam de mim?
...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Essa paixão

É como esperar cartas que não vão chegar
É como esperar o tempo e ele não passar
É como se render de um crime que não cometeu
É como lembrar do que ninguém te deu
É como destruir sem tocar
É como desejar sem possuir
É como sentir sem queimar
É como dor
É como amar e não amor.

Ver-te de longe, oh!, que tentação!


domingo, 13 de fevereiro de 2011

.

Ele abriu a porta
e o vento entrou.

Ambos não sabiam que o amor voltaria assim
tão leve.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Criando tradições - só pra movimentar o asfalto

Caixa de Pandora às avessas

Essa noite acordei de um sonho intranquilo
E ficou na minha memória uma ideia de caixa de Pandora às avessas.
Eu despejaria todas as boas lembranças nela
E a deixaria em baixo da cama ou em cima do armário.
Assim, quando algo de mau me abatesse,
Puxaria de dentro da caixa um daqueles dias
E o pregaria na parede pra me alegrar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Estou sem sono e sem palavras



Antes eu sonhava, agora já não durmo

Quando foi que competimos pela primeira vez?

O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe

Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.


Não estou mais interessado no que sinto

Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas

Não vou brigar por causa disso

Até penso duas vezes se você quiser ficar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Espelho



Há um vazio pulsando no meu peito
Há um buraco negro saindo pela minha boca
Por estes lábios já passaste - perdeu-te
Nesta casa já entraste - perdeu-te

Entre mim e ti, este abismo
O eu que me foi bate à porta e me reconhece
Não posso escolher se comigo ou conosco fico
Pois os eus que me apresento e os eus que me foram
Não permitem

Muito prazer, eu sou teu passado
Tua sombra, tua angústia
O cordão que nos liga te leva a crer
Que o teu filho de mim depende
E tua felicidade também

Te revela a ti mesmo
Cai no abismo para então te remontar
Que o presente a ti pertence
Não me culpes pelo teu medo de amar
A sorte já foi lançada
Cabe a ti saber jogar

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dia qualquer


Eu queria escrever uns versinhos
Que me ajudassem a descobrir
Sentir assim afinal não é legal.
Assobio à janela à procura de inspiração
O pássaro a pedra a negra o cachorro
Doce solidão.

Passou o rapaz, aquele de corpo esguio
Queria cantar, vem aqui na janela?
Meu coração em chamas - os lábios frios.
Passou. Eu só queria uma motivação...

Passou a velha. Me oferece uma maçã?
Ela arrasta a vida amarrada aos pés.
Por um instante eu quis ser a velha
A caminhar, nem aí pra vida se acabando no chão.

Passou o leiteiro e o cavalo, devagar...
"Eta vida sem graça".

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Estático



Meu coração é como a velha estante do quarto
De ferro, já desgastada pela ferrugem,
Simples, reta, de linhas secas e bem espaçadas.

Meu coração é como a estante do quarto
Que guarda lembranças como livros velhos empilhados
Que fica parado
Que só guarda e para.

Meu coração é quadrado como a estante bege do quarto
(bege com pontinhos pretos...)
Cada espaço preenchido por variedades, entretido por banalidades.

Meu coração está cheio e pesado como a estante
Está isolado no centro na parede branca
E está perdendo a cor.

sábado, 4 de setembro de 2010

E o que mais?


E não sabemos mais o que fazer, aonde ir,
Não sabemos nem o que sentir.
Não sabemos se seguimos, se paramos.
Pena que não dá pra voltar...
O tempo não pára, não volta, não pára...
O tempo dá voltas
Dá voltas e me espreme contra o futuro.

Onde estarei?
Onde estou?
O que é isso? Aquilo? Isto?
E agora, José?
A poesia acabou...

domingo, 29 de agosto de 2010

Domingo



E hoje bateu uma moleza no corpo, daquelas que a alma só quer deitar, só quer aconchego, calor nos pés.

Bateu também um vento frio, daqueles que cantam na janela semi-aberta e esvoaçam as cortinas finas. O vento esfriou o corpo todo e a primeira medida foi buscar aquecimento - e não fechar a janela.

Às vezes parece que a gente quer mesmo é sentir aquilo na pele e da maneira mais displicente possível.

Bateu uma tontura daquelas que a cabeça apronta só pra não pensar em nada, pra se livrar do que é pesado.

Na efemeridade da manhã, o rádio ao fundo dá a trilha sonora do frio... A música lhe escolhe e define - e não o contrário.


Não me deixe só, que eu tenho medo do escuro, tenho medo do inseguro, dos fantasmas da minha voz... ah ah ah


Hoje bateu forte a vontade de só ficar... em silêncio e bem aquecida, só ficar.

E que os pensamentos tomem livres seus rumos, que hoje apenas existo - corredor mal iluminado de uma casa ampla, sem viventes...


Só vou te contar um segredo: não, nada de mais nos alcaçaaa... Então venha me dizer o que será da minha vida sem você...


E depois, como será? Antes, o que foi?


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A vida I


E quem diria que eu te veria crescer! Crescer e acabar desse jeito, desgastada pelas próprias lágrimas, vítima do próprio castigo, do próprio engano.

Quem diria que aquela garotinha gorducha e sapeca, tentando se equilibrar nos pezinhos, de olhos mais singelos que o próprio amanhecer e sem malícia, sem mágoas... Aquela menina que um dia quis voar da janela e seguir uma borboleta iria acabar assim.

A garotinha que foi se tornando uma mocinha, de cachos loiros e pele alva, com os mesmos olhos inatingíveis pela sujeira que todos adquiriam perto dela! Aquela que preferia brincar de casinha sozinha porque somente ela entendia seu mundo e estava muito bem assim. Aquela que quis dar leite ao gato da rua...

Quem diria! Se desmoronássemos perante tudo de errado que acontece, a humanidade não teria chegada a um terço do que é.



É preciso força pra seguir.

quinta-feira, 29 de julho de 2010



O violão e a música cantada baixinho fizeram doer o coração do pobre moço. Ali no bar, na mesa de canto mal iluminada, ninguém saberia descrever o que passava na cabeça dos dois.
Nenhuma palavra e muito sentimento, muita vontade.
Música. Ela servia pra preencher os ouvidos, colocar os corações no mesmo ritmo. A cerveja deveria tê-los deixado mais soltos, mas o que houve foi que estavam aflitos... E cheios de dúvidas. Ele queria carregá-la dali e possuí-la com todo o seu amor. Ela queria simplesmente fugir.
Olhares manhosos e corpos quentes. Seria tão mais fácil se naquele momento começassem a se odiar, se ele a desapontasse a ponto dela querer esquecê-lo ou se ele se apaixonasse pela garçonete!
Não adiantava, aquele era o momento em que duas solidões se encontravam, em que o vazio de um preenchia o do outro. Em cada abraço desacostumado, buscavam a própria alma como a última chance de liberdade.

- Quem são eles?, perguntavam.
- Devem estar se despedindo.

Mas os dois lá no canto nasciam - enquanto não despertassem.

sábado, 10 de julho de 2010

I don't wanna stay


Tranco a porta. Penso no que acabei de fazer.
Agora é tarde, este é o limite. A vida até este segundo ou a morte que nascerá no próximo não podem ser evitadas.
Escuto Beatles como se quisesse lembrar, mas de quê? Escuto para nutrir na alma um sentimento mais terno em relação ao viver, para fazer brotar a esperança de que algo pode ser melhor, de que ainda haverá um campo de morangos no final de algum dia.
Talvez se eu tivesse acreditado mais...
Escuto Nirvana no mais alto volume como se quisesse ser esquecida. Porta e janela fechadas tornam o agudo mais agudo e o grave quase insuportável, semelhante às pulsações. Meu grito não pode ser ouvido.

Tanta revolta assim não adianta, pode esquecer. As cortinas estão a se fechar, a luz está acabando, é o último pedaço de torta, seu cachorrinho está doente porque comeu seu ursinho de pelúcia preferido, aquele garoto realmente não te amava, você estava certa o tempo todo, o que escondia no armário acabou antes que descobrissem, fiz a maior besteira que podia. Black.

Será que os vizinhos escutaram? Bem, eles são idosos quase surdos que têm uma enfermeira malvada que deve estar bebendo cerveja na varanda. Não há com o que se preocupar.

Este será o último passo. Claro! Não podia terminar diferente. Antes cuidar dos outros para então reparar minhas feridas. Vou aumentar o volume e a mesma música tocará até que alguém arrombe a porta. Hoje não pertubarão minha paz.

Sem dor, sem choro. Sem arrependimento, sem lembranças. Sem futuro.
Este é nosso último beijo, você percebeu?
Yellow Ledbetter.

- Mas que clichê!